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terça-feira, 22 de outubro de 2019

14 mortos e 30 feridos: Maior tragédia registrada na região do Seridó paraibano aconteceu em Picuí e completa 31 anos

Tragédia foi a maior da região do Seridó paraibano (Foto: Jônatas Rodrigues)
A tragédia aconteceu por volta das 21h00 da noite de um sábado, no dia 22 de outubro de 1988,  na entrada da cidade de Picuí, no Seridó paraibano, onde iria ser realizado um grande comício da Coligação Renovadora Picuiense que congregava o PMDB e o PL. Treze das vítimas eram da cidade de Baraúna, no Seridó paraibano (distrito do município de Picuí, na época), e estavam indo a sede no ônibus e na camioneta do vereador Francisco Gomes com o objetivo de levar o apoio aos candidatos da coligação.

Segundo informações colhidas na capela de Baraúna naquela época, onde durante todo um dia centenas de pessoas velaram os corpos, o vereador Francisco Gomes da Silva, o “Chico de Adalto”, uma das vítimas fatais da tríplice colisão, fretou o ônibus que se dirigia aquele distrito no sentido de trazer os seguidores de sua campanha para o comício.

Muitos Carros

Na fazenda “Barra Bode”, situada na saída de Picuí para Barra de Santa Rosa, mais de 20 carros estavam à espera dos que vinham de Baraúna, onde as pessoas esperavam os que dirigiam-se do distrito e em seguida seguiriam em passeata para o centro daquela cidade para o referido ato público, organizado pelo médico Dr. João Batista Balduíno, candidato a prefeito pela Coligação Renovadora Picuiense.

O ônibus, dirigido por um rapaz da cidade de Pedra Lavrada, conhecido apenas por Valdemir, que minutos após o acidente, com apenas ferimentos leves, tomou rumo ignorado, atrasou durante o percurso entre Baraúna e Picuí. O vereador “Chico de Adalto” já havia chegado ao local da espera e aguardava o ônibus com sua camioneta estacionada e super lotada de pessoas, quando aconteceu a tragédia.

Arrastado

O mecânico José Porfírio Dantas, conhecido por “Zezinho Amaro”, que segundo informações foi o causador do acidente, vinha em seu Fiat 147 no sentido Picuí/Baraúna com o objetivo de juntar-se aos veículos estacionados às margens da rodovia, que apesar de já encontrar-se perto dos outros carros desenvolvia ainda alta velocidade.

Valdemir, que guiava o ônibus, perdeu o controle do mesmo e bateu contra a camioneta do vereador, arrancando a carroceria, atirando a vários metros de distância todos que se encontravam em cima do devido carro, que não sobreviveram devido ao forte impacto. “Chico de Adalto” estava dentro da cabine da caminhonete, a qual dirigia, mais também foi arremessado para fora pelo para-brisas.
História é relembrada nos dias de hoje (Foto: Jônatas Rodrigues)
A festa política nem começou

Ao receberem a notícia do acidente os moradores de Picuí, emocionados com o triste episódio, entraram em pânico. A festa política nem começou, tudo foi suspenso e todos que já se faziam presentes no comício rumaram para o local para prestarem socorro como voluntários. Onze pessoas morreram no local, várias pessoas foram socorridas às pressas para Campina Grande, sendo que três delas morreram no caminho e seus corpos foram conduzidos ao IML campinense. Outras levemente feridas foram atendidas na Maternidade Nossa Senhora de Fátima e em um hospital da cidade de Esperança, no Brejo paraibano.

Sepultamentos

Apenas o mecânico José Porfírio, foi enterrado no município de Picuí, enquanto que as outras treze pessoas foram sepultadas coletivamente às 16:00 de um domingo, dia 23, no Cemitério de Baraúna, de onde eram naturais da zona rural e urbana. Uma multidão compareceu ao enterro, e choraram pelas mortes de seu conterrâneo. 

Vítimas

Rosa dos Santos, 52 anos, esposa de Cícero Quirino de Souza; Sebastiana dos Santos de Souza, 12 anos e José Firmino de Souza de 25 anos, filhos do casal: Severino Santos de 16 anos, sobrinho de Cícero Quirino; a esposa do agricultor Miltom Barbosa, Maria Salvina dos Santos e seus Filhos Ivanildo Barbosa dos Santos de 22 anos, e Ivonete Barbosa dos Santos de 23 anos; o vereador Francisco Gomes da Silva, 59 anos; Ivan Gomes de Oliveira, 21 anos; a estudante Maria do Céu Santos conhecida por “Bibi” e sua filha Rosa Maria de Souza de 11 anos, e Luzenilda Ferreira de Oliveira “Nega de Chico” solteira de 25 anos de Idade.

A outra vítima até horas antes do sepultamento ainda encontrava-se no IML campinense sem identificação, mais segundo José Janduhy de Oliveira, vereador da época que estava à frente dos problemas, devia ser um dos filhos de Cícero Quirino residentes do Sítio Caiçara. Várias pessoas continuam internadas nos Hospitais de Campina Grande, Picuí e Esperança, mas apenas Celina Ferreira de Oliveira encontrava-se em estado Grave na CTI do João XXIII na Serra da Borborema. A Polícia de Picuí compareceu ao local da tragédia e fez o levantamento de praxe, mas, naquele momento, não soube informar o responsável pela tríplice colisão que emocionou a cidade naquela noite de sábado. O prefeito Sebastião Ramos Dantas, conhecido popularmente como "Basto Cazuza" decretou luto oficial por três dias.
Imagem feita em 22 de outubro de 2019, 31 anos após a tragédia.

O local onde ocorreu a tragédia (Foto) era conhecido anteriormente como "Fazenda Barra Bode" e atualmente é denominado bairro Chico de Adalto, conhecido por muitos ainda como "Cruzes".


Edição de Marcílio Araújo com informações de Baraúna Linda e transcrição da matéria do Jornal Diário Da Borborema do dia 24 de outubro de 1988.

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