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sábado, 16 de novembro de 2019

LUTO: Morre em João pessoa o artista picuiense José Crisólogo

A cidade de Picuí, localizada no Seridó do Estado da Paraíba está de luto com o falecimento de um dos seus filhos ilustres, o artista plástico, autodidata, José Crisólogo da Costa, popularmente conhecido como "Zé Crisólogo", o "Crisólogo de Neguinho", ocorrido na manhã deste sábado (16), em João Pessoa, capital do Estado da paraíba.

Zé Crisólogo residia desde o ano de 1964 na capital paraibana João Pessoa. Aos 69 anos de idade, o picuiense foi acometido por um Câncer. Ele deixa um enorme legado de arte, cultura e amor em sua terra natal e outras mais diversas espalhadas no Brasil à fora. Dentre tantas obras criadas em Picuí, podemos destacar algumas das principais, as quais encontram-se instalados na Praça Temática José Líbio Dantas, conhecida popularmente como "Praça do Boi", além de outras instaladas no Parque Ecológico Cultural Fausto Germano, e uma das maiores: a estátua do picuiense Dr. Felipe Tiago Gomes, picuiense ilustre, considerado o comendador da Educação brasileira, a qual fica situada em frente a Escola Ana maria Gomes, local onde funcionava a antiga caixa d'água que abastecia a cidade de Picuí. Todas essas obras foram construídas durante a gestão do então prefeito Rubens Germano Costa (Buba Germano), hoje, deputado estadual.
Praça Temática José Líbio Dantas, conhecida popularmente como "Praça do Boi".
"Burrinho" da Praça Temática José Líbio Dantas, conhecida popularmente como "Praça do Boi".




Monumento do picuiense Dr. Felipe Tiago Gomes, picuiense ilustre, considerado o comendador da Educação brasileira.
Alguns destaques sobre o trabalho do artista

De acordo com o site Paraíba Criativa, o artista autodidata mostrava o imaginário do povo sertanejo na sua força para vencer as adversidades. Tornou-se famoso por suas pinturas, especialmente, as da soberba “Série Bovina”, através da qual homenageia e, também, exorcizava a figura do boi, vértice da chamada “Civilização do Couro”, dos Sertões brasileiros; espécie de ícone, quase divinizado, da força vital e, ao mesmo tempo, símbolo de um sistema econômico de implacável dominação do homem.

Discutia em sua pintura a relação homem/boi, esta união tão íntima num universo brasileiro, bem mais afetiva que comercial. Crisólogo com maestria ajustava as cores e estruturava o campo plástico com perfeito equilíbrio. Em suas deformações buscava o lado íntimo da vida, onde as vísceras eram postas à mostra e a carne dilacerada de verdade e dor. O pintor procurava respostas, uma reparação de antigas paragens, uma aquietação interna, que chegava em linha, forma e cor.

Desenhou a história da gravura no Estado juntamente com outros paraibanos como José Costa Leite, Josineide Fonseca, Manuel Clemente, Martinho Campos, Pádua Belmont, Unhandeijara Lisboa e Xico Carvalho, chegando a fazer parte do Clube da Gravura, uma entidade cultural sem fins lucrativos que propõe a experimentação, pesquisa, preservação, divulgação e ensino da gravura, através de cursos, exposições e palestras.

Em 2009, foram leiloadas 10 obras de artes, produzidas por José Crisólogo, com pinturas artísticas e exclusivas de renomados artistas plásticos paraibanos, a exemplo de Flávio Tavares, Clóvis Júnior, Sandoval Fagundes, Sidney Azevedo, Margarete Aurélio, Chico Ferreira, Chico Dantas, Shiko, Diógenes Chaves e Célia Araújo. As obras arrematadas foram doadas para o CENDAC, pela 4ª edição do Cineport, realizado durante o mês de maio de 2016 na Energisa. Em 2011, com a reinauguração da Casa da Cultura em São Miguel dos Campos, Alagoas, foram expostas pinturas do artista no espaço Irmãs Rocha.

José Crisólogo durante muito tempo pintou em telas, mas atualmente resolveu colocar a sua arte na rua optando pela arte popular e, antes de ser acometido por enfermidades, se dedicava a produção de cenários para teatro, bonecos para carnaval e esculturas para ambientes. Suas esculturas eram produzidas com tamanho e aparências reais. Além dos trabalhos supracitados, o artista plástico vinha trabalhando também na área de decoração de rua durante os festejos juninos e natalinos. As peças desenvolvidas pelo artista podiam ser adquiridas em seu ateliê, o Ateliê José Crisólogo, localizado à Av. Miguel Santa Cruz, 869, Torre, em João Pessoa.

Uma breve memória do meu amigo, Zé Crisólogo, a qual levarei eternamente guardada em meu coração.

Jamais esquecerei. Menino curioso, aos 12/13 anos de idade, passando em frente a entrada da Escola Ana Maria Gomes, onde Crisólogo andava de um lado para outro, por cima de uma "ruma de tábua". Fiquei por ali, olhando aquele homem de barba e cabelos grandes trabalhar. Curioso, é claro, sem saber o que ele faria com aquele monte de pincéis, latas de tintas, lápis de madeira, serras tico-tico, entre tantas outras ferramentas, além, é claro, daquela "ruma de tábua" que estava espalhada pelo chão.

Me aproximei, envergonhado e o perguntei: Ei, ei ! O que é isso? Logo ele  ouviu minha pergunta e respondeu: São bois, galeguinho. Fiquei pasmo, Bois ? Sem saber como ele haveria de transformar aqueles rabiscos feitos naquela "ruma de tábua" e um monte de bugigangas nos tais bois.

Continuei a observar... Esperto, mas, ainda envergonhado por ficar ali sem fazer nada, com intuito de me aproximar cada vez mais para acompanhar mais de perto aquele trabalho, voltei a questioná-lo: Ei, o senhor quer ajuda? Ele prontamente respondeu: Claro que sim ! Vem cá, corre !

Jamais esquecerei que "trabalhei" com Crisólogo durante toda aquela tarde quente de quinta-feira, véspera das festividades que seriam realizadas naquele local, em tempo, transformado pelo então prefeito Buba Germano na Praça de Eventos de Picuí. Já no fim da tarde, Crisólogo clamou pela ajuda de mais homens. Foi naquele momento que erguemos aquela "ruma de tábua", agora transformada em dois grandes bois, os quais foram instalados na entrada do evento. Os bois de crisólogo, dentre tantas outras artes, foram utilizadas como portais de entrada do evento , diga-se de passagem, um dos maiores do país, promovido naquele grande e maravilhoso espaço.

Jamais irei esquecer. Continuei por por ali, admirando o resultado final. Afinal, eu nunca tinha conhecido alguém com tamanha inteligência, muito menos imaginaria que aquela tarde, seria marcada como o dia o qual eu consegui um dos meus primeiros empregos e, que seria o dia o qual eu tive a chance de ajudar um dos homens mais inteligentes que eu haveria de conhecer em toda minha trajetória de vida.

Jamais irei esquecer. Ao final da tarde, já escurecendo, me veio à memória que minha mãe nem imaginava onde eu estava, daí me apressei para para ir embora pra minha casa, naquele tempo situada por trás do Cemitério Monte Santo. 

jamais irei esquecer que naquela tarde, eu me tornei, literalmente, um dos moleques mais ricos de Picuí. Quando fui me despedir dele, imaginem: ele pôs a mão no bolso e me agraciou com R$ 20,00 (vinte reais).

O meu maior prazer de tudo isso, é que, agora já beirando os 30 anos, sempre que o encontrava, antes que eu tivesse a chance de relembrar a história, ele já chamava quem estivesse por perto e, com aquele prazer,  começava a contar aquele dia, o dia em que "o galeguinho teria lhe ajudado a construir os bois da Festa da Carne de Sol". Pena que naquele tempo não fosse tão fácil guardar em papel uma recordação.

Meu eterno amigo Crisólogo, jamais irei esquecer de você. Que Deus o receba de braços abertos em seu reino.

Por Marcílio Araújo - Portal Picuí Hoje.
Com informações do Paraíba Criativa.

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