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28.7.26

Adolescente diz à polícia que matou homem em hotel por medo de exposição, em João Pessoa

Suspeito afirmou ter agido após se sentir ameaçado; caso é investigado pela PCPB
Foto: Yanka Oliveira/TV Cabo Branco
O adolescente apontado como autor da morte de Washington Rodrigo, de 33 anos, encontrado sem vida em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, na Paraíba, declarou à Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) que cometeu o crime por receio de que a relação entre os dois viesse a público. A informação foi divulgada durante coletiva realizada pela Polícia Civil paraibana
 (PCPB) nesta terça-feira (28), após o jovem ser ouvido em Caicó, município localizado na região do Seridó potiguar.

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De acordo com o delegado Diego Garcia, da PCPB, responsável pelas investigações, o contato entre o suspeito e a vítima ocorreu por meio de um site de relacionamentos. Após o encontro, o adolescente relatou ter se sentido intimidado e teria utilizado uma réplica de arma de fogo para forçar a vítima a fornecer a senha do celular.

"Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa, já que ele se acha um teólogo e por isso não poderia ter a imagem corrompida", disse o delegado.

A versão apresentada pela polícia é semelhante à informada pela defesa do adolescente na segunda-feira (27), em entrevista à TV Cabo Branco. Na ocasião, o advogado Ariolan Fernandes afirmou que o cliente confessou o homicídio e alegou ter agido por medo da divulgação de registros do encontro.

Segundo a defesa, o adolescente encontrou o anúncio da vítima em um site de garotos de programas e a escolha teria ocorrido de forma aleatória. Ainda conforme o advogado, o jovem temia que a relação fosse exposta.

"Segundo o adolescente, ele teria medo por manter perante a sociedade a imagem de uma pessoa hetero, temia que aquela relação homossexual fosse exposta", afirmou o advogado.

A Polícia Civil informou ainda que o adolescente relatou ter usado o cabo do secador de cabelo do hotel para estrangular a vítima. Conforme o delegado Diego Garcia, o suspeito disse que pretendia apenas deixá-la desacordada para sair do local.

O superintendente da PCPB, delegado Cristiano Santana, declarou que, após o crime, o adolescente tentou sair com o carro da vítima, mas não conseguiu.

"Ele tenta sair com o carro da vítima, mas não consegue e evade sozinho, em comportamento normal, inclusive fazendo postagens como se nada tivesse acontecido."

Ainda segundo a investigação, não foram encontrados entorpecentes no quarto, mas havia uma luva cirúrgica. Também foram apreendidos uma pistola de airsoft e algemas, itens que contribuíram para a identificação do envolvimento do adolescente.

"Existe um airsoft que foi apreendido. De fato existiram objetos que foram de grande valia para identificação, com elementos robustos que identificavam a participação do menor", afirmou Diego Garcia.

De acordo com a defesa, o adolescente utilizou documento falso para se hospedar no hotel. O advogado também informou que ele realizava palestras, tinha despesas custeadas por organizadores desses eventos, atuava com marketing e recebia apoio financeiro da família.

Histórico do adolescente

Durante a coletiva, a PCPB informou que o adolescente possui ao menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte. Segundo os investigadores, ele já foi internado em unidade destinada a menores infratores.

Entre os registros, há atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal em contexto de violência doméstica, entre outros.
Washington Rodrigo tinha 33 anos — Foto: Redes sociais/Reprodução
Relembre o caso

Washington Rodrigo foi encontrado morto na sexta-feira (24) em um quarto de hotel na orla de Manaíra, em João Pessoa. O corpo estava sobre a cama, com as mãos amarradas, um fio no pescoço e um pano na boca.

A PCPB informou que o adolescente teria se hospedado no local utilizando nome falso e deixou o hotel sem registrar a saída. O caso segue sob investigação da Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa.

Familiares relataram à TV Cabo Branco que a vítima trabalhava como motorista autônomo e havia informado à mãe que faria uma corrida para Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer.

Portal Picuí Hoje com informações do Jornal da Paraíba.

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