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terça-feira, 12 de julho de 2016

CARTAS MARCADAS: EMPRESAS ESTARIAM BURLANDO CONCURSOS EM PREFEITURAS PARA APROVAR APADRILHADOS

Terça-feira, 12 de julho de 2016

A avalanche de concursos públicos de prefeituras, com editais abertos, em vários municípios da Paraíba pode estar escondendo um esquema de corrupção entre gestores e empresas contratadas com o objetivo de aprovar apadrinhados de políticos que estão deixando o mandato. A denúncia foi feita nesta segunda-feira (11) pelo deputado estadual Jeová Campos, do PSB.

Segundo ele, prefeitos estão contratando empresas fajutas e corruptas para realizar o certame acordando verdadeiras negociatas, tanto no rateio do dinheiro adquirido com as inscrições, quanto na lista pré-determinada de aprovados.

Jeová ainda alertou o Ministério Público para o fato de a maioria dos certames estarem sendo realizados apenas às vésperas do ano eleitoral, mascarando, até mesmo, compra de votos.

“É uma questão extremamente séria e que precisa de providências. Eu conheço situações onde os concursos são realizados, em regra, no último ano do governo. Ora, o camarada é prefeito durante quatro ou oito anos e quando vai sair realiza um concurso e bota empresas fajutas e corruptas para realizar o certame, sem ter capacidade técnica de fazer uma avaliação, onde prepondere o mérito e a competência e o princípio da isonomia, com a igualdade de todos aqueles que estão na mesma situação jurídica para concorrer ao concurso, mas ao final, os aprovados são a lista do prefeito”, denunciou.

E continuou: “Eles começam sendo sócios logo na inscrição. O dinheiro da inscrição é rachado entre as empresas e o prefeito. Eu conheço várias situações dessas no Alto Sertão da Paraíba”.

Para o parlamentar, o lado mais sujo de toda essa manobra dos gestores paraibanos é o fato de os gestores deixarem para fazer o certame apenas no último ano do mandato.

“O lado mais sujo é que todos fazem no último ano de governo enrolando o Ministério Público, fazendo Termos de Ajustamento de Conduta, não cumprem, ficam enrolando, e depois, no último ano, no apagar das luzes, realizam o concurso para beneficiar seus apadrinhados políticos, e os inscritos, que não são da mesma cartilha, mesmo tendo as melhores notas, são excluídos. Isso é uma vergonha. É uma fraude ao princípio da igualdade e um atentado a Constituição Federal. Nesses concursos que estão fazendo os municípios a nota, é a nota que o prefeito indica, porque entrega a lista aos safados”, disparou.

O deputado disse que logo que retornar do recesso parlamentar abordará o tema na Assembleia Legislativa da Paraíba e poderá acionar o Ministério Público para tomar providências.

“O que não pode é a indicação tomar o lugar da meritocracia”, arrematou.

Recentemente alguns concursos da Paraíba tiveram que ser cancelados, já outros anulados devido as suspeitas de corrupção.

Na semana passada, por exemplo, a Promotoria de Justiça de Santa Luzia pediu “providências necessárias e legais para declarar a nulidade do concurso público do município de Junco do Seridó.

O motivo seria o envolvimento da empresa Concursos Públicos e Assessorias (Conpass), que organiza o concurso, em outros concursos públicos fraudulentos em diversas cidades da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Também foi recomendado que seja anulada a licitação para a escolha da empresa organizadora bem como o contrato firmado com a Conpass.

O concurso do Conde, no Litoral Sul da Paraíba, também esteve sob suspeita. O certame chegou a ter as inscrições suspensas e, após a divulgação do resultado, foi denunciado, também por suspeitas de fraudes. Muitos inscritos informaram que sequer tinham pago a inscrição e constavam na lista como se tivessem efetuado o pagamento.

Os candidatos também reclamaram de vários problemas na aplicação da prova. Uso do celular durante a prova e nas saídas ao banheiro e a falta da exigência do documento de identidade do candidato para fazer a prova, por exemplo.

O concurso da prefeitura de Santa Rita também chegou a ser suspenso e, segundo a organizadora, a Facet Concursos, na ocasião, o edital foi suspenso por "motivos superiores".

Fonte: PB Agora

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